Câncer de mama: Nova combinação reduz em 35% risco de progressão em subtipo agressivo da doença

O The New England Journal of Medicine (NEJM) publicou os resultados positivos completos do estudo de Fase 3 ASCENT-04/KEYNOTE-D19, que avaliou a combinação de sacituzumabe govitecana com pembrolizumabe como tratamento de primeira linha para câncer de mama triplo negativo (CMTN) metastático PD-L1+ (CPS ≥10).

Segundo dados apresentados na publicação, o estudo ASCENT-04 atingiu seu desfecho primário de sobrevida livre de progressão (PFS), demonstrando uma redução de 35% no risco de progressão da doença ou morte (HR: 0,65; p<0,001) para sacituzumabe govitecana em combinação com pembrolizumabe (n=221), em comparação ao tratamento padrão com pembrolizumabe associado à quimioterapia (n=222). A mediana de PFS foi de 11,2 meses com sacituzumabe govitecana mais pembrolizumabe, versus 7,8 meses quando pembrolizumabe foi administrado em combinação com quimioterapia.

“Pacientes com CMTN metastático frequentemente apresentam progressão rápida da doença e desfechos desfavoráveis após as terapias atuais de primeira linha, o que evidencia a necessidade de opções de tratamento novas e mais eficazes”, afirmou Dietmar Berger, MD, PhD, Chief Medical Officer da Gilead Sciences. “Esses resultados representam um avanço importante em direção ao nosso objetivo de levar o sacituzumabe govitecana para linhas mais precoces do tratamento do câncer de mama, com potencial para se tornar uma terapia base para pacientes com CMTN metastático em primeira linha que necessitam de abordagens terapêuticas inovadoras.”

“Pacientes com câncer de mama triplo negativo metastático PD-L1+ continuam enfrentando opções limitadas no cenário de primeira linha”, afirmou Sara Tolaney, MD, MPH, chefe da Divisão de Oncologia Mamária do Dana-Farber Cancer Institute e investigadora principal do estudo ASCENT-04. ““Nesse contexto, esses dados com a combinação de sacituzumabe govitecana e pembrolizumabe representam um avanço significativo na consolidação de um potencial novo padrão de cuidado para essa doença desafiadora.”

A publicação dos resultados do estudo ASCENT-04 no New England Journal of Medicine ocorre em paralelo à publicação, também no NEJM, dos resultados primários do estudo ASCENT-03, que avaliou sacituzumabe govitecana em monoterapia como primeira linha de tratamento em pacientes com câncer de mama triplo negativo metastático que não são candidatos a inibidores de PD-1/PD-L1. A Gilead submeteu solicitações para ambas as indicações ao Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos e à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) na Europa.

O perfil de segurança de sacituzumabe govitecana em combinação com pembrolizumabe no estudo ASCENT-04 foi consistente com os perfis de segurança já conhecidos de cada agente. Não foram identificados novos sinais de segurança com a combinação, e o uso conjunto não potencializou o perfil de segurança de nenhuma das terapias.  Os eventos adversos emergentes do tratamento de grau ≥3 mais frequentes (≥10% dos pacientes) com sacituzumabe govitecana mais pembrolizumabe foram neutropenia (43%) e diarreia (10%). No braço pembrolizumabe mais quimioterapia, os eventos mais frequentes foram neutropenia (45%), anemia (16%) e trombocitopenia (14%). Um número menor de pacientes descontinuou o tratamento devido a eventos adversos no braço sacituzumabe govitecana mais pembrolizumabe, em comparação ao braço pembrolizumabe mais quimioterapia (12% versus 31%).

O uso de sacituzumabe govitecana em combinação com pembrolizumabe em pacientes com CMTN metastático PD-L1+ em primeira linha, assim como o uso de sacituzumabe govitecana em monoterapia em pacientes com CMTN metastático de primeira linha que não são candidatos a inibidores de PD1/PD-L1, é investigacional, e ainda aguarda aprovação de autoridades regulatórias globais.

Sobre o câncer de mama triplo negativo com tumores PD-L1+

O câncer de mama triplo negativo (CMTN) é o tipo mais agressivo de câncer de mama e, historicamente, tem sido difícil de tratar, representando aproximadamente 15% de todos os casos. O CMTN afeta de forma desproporcional mulheres mais jovens, na pré-menopausa, negras e hispânicas. As células do CMTN não apresentam receptores de estrogênio e progesterona e possuem expressão limitada de HER2, o que restringe as opções terapêuticas em comparação com outros subtipos da doença.

O CMTN apresenta maior risco de recorrência e metástases. O tempo médio até a recorrência metastática é de aproximadamente 2,6 anos, em comparação com cinco anos para outros tipos de câncer de mama. Entre mulheres com CMTN metastático, a taxa de sobrevida em cinco anos é de 12%, enquanto para outros tipos de câncer de mama metastático essa taxa é de 28%.

Apesar dos avanços no tratamento, o CMTN metastático de primeira linha teve poucas novas aprovações nos últimos anos para tumores que expressam PD-L1+, e novas opções terapêuticas são necessárias. Mesmo com os avanços recentes, mais de 50% dos pacientes não recebem tratamento além da primeira linha, o que reforça a necessidade de alternativas que contribuam para melhores desfechos clínicos. De forma geral, tumores que expressam PD-L1 são mais agressivos e estão associados a menor tempo de sobrevida.

Sobre o estudo ASCENT-04/KEYNOTE-D1

O estudo ASCENT-04/KEYNOTE-D19 é um ensaio clínico global, aberto e randomizado de Fase 3 que avaliou a eficácia e a segurança de sacituzumabe govitecana em combinação com pembrolizumabe, em comparação à quimioterapia associada a pembrolizumabe, em pacientes previamente não tratados com câncer de mama triplo negativo localmente avançado inoperável ou metastático, cujos tumores expressam PD-L1. O estudo incluiu 443 pacientes, randomizados na proporção 1:1, com tratamento mantido até progressão da doença confirmada por revisão central independente ou toxicidade inaceitável. O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão, avaliada segundo os critérios RECIST v1.1, e os desfechos secundários incluíram sobrevida global, taxa e duração de resposta, tempo até resposta, desfechos relatados pelos pacientes e segurança.

Sobre Trodelvy

Trodelvy (sacituzumabe govitecana) é um anticorpo conjugado a droga e direcionado a TROP-2, primeiro da classe (first in class). O Trop-2 é um antígeno de superfície celular altamente expresso em diversos tipos de tumores, incluindo mais de 90% dos cânceres de mama e de pulmão. Trodelvy foi desenvolvido com um ligante hidrolisável ligado ao SN-38, um inibidor da topoisomerase I, permitindo atividade tanto nas células tumorais que expressam Trop-2 quanto no microambiente tumoral, por meio de um efeito bystander.

Atualmente, Trodelvy está aprovado em mais de 50 países para o tratamento do câncer de mama triplo negativo metastático em segunda linha ou posterior e em mais de 40 países para determinados pacientes com câncer de mama metastático HR+/HER2- previamente tratados. O medicamento segue em avaliação em múltiplos estudos de Fase 3, como monoterapia ou em combinação com pembrolizumabe, abrangendo linhas mais precoces de tratamento e diferentes tipos tumorais com alta expressão de Trop-2.

Sobre a Gilead Sciences

A Gilead Sciences, Inc. é uma empresa biofarmacêutica que, há mais de três décadas, busca e alcança avanços significativos na medicina, com o objetivo de criar um mundo mais saudável para todas as pessoas. A companhia está comprometida com o desenvolvimento de medicamentos inovadores para a prevenção e o tratamento de doenças graves, incluindo HIV, hepatites virais, COVID-19, câncer e inflamação.

Em 2025, a Gilead anunciou um investimento planejado de US$ 32 bilhões para fortalecer ainda mais sua presença nos Estados Unidos, impulsionando a próxima era de descobertas científicas, geração de empregos e preparação em saúde pública — ao mesmo tempo em que continua investindo globalmente para garantir que pacientes em todo o mundo se beneficiem de sua inovação científica. A Gilead atua em mais de 35 países, com sede em Foster City, Califórnia.

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