Crise de imagem pede resposta ágil

A Copa do Mundo colocou a CazéTV diante de uma audiência de escala inédita. O canal transmitiu os 104 jogos e acumulou mais de 2,5 bilhões de visualizações durante a competição. Em uma das partidas, chegou a 24,2 milhões de dispositivos conectados simultaneamente.

Essa exposição ampliou o alcance das discussões envolvendo o canal, ultrapassando o público cativo dele. Durante o torneio, a forma como plataformas de apostas apareciam nas transmissões gerou críticas nas redes sociais e repercussão na imprensa.

O episódio ajuda a observar uma característica da crise de imagem em ambientes que reúnem creators, grandes audiências e diferentes relações comerciais: uma discussão pode começar em uma atividade específica e ampliar o questionamento sobre as marcas presentes naquele espaço.

Quando a crise de imagem ultrapassa o fato inicial

Uma empresa não precisa participar diretamente de uma controvérsia para entrar na conversa pública.

Em projetos de grande visibilidade, a audiência acompanha conteúdo, apresentadores e publicidade dentro de uma mesma experiência. Por isso, quando determinado tema ganha repercussão, o público também pode observar quais empresas escolheram estar presentes naquele ambiente.

Isso não significa atribuir aos patrocinadores responsabilidade pelas decisões de terceiros. No entanto, mostra que a percepção pública nem sempre acompanha os limites de uma relação comercial.

Nesse cenário, a crise de imagem também envolve os critérios usados para escolher plataformas, creators e projetos aos quais uma empresa vincula sua presença.

Posicionamento precisa acompanhar a repercussão

A condução da CazéTV durante o episódio ajuda a observar uma gestão de reputação. Ainda durante o torneio, o canal divulgou uma nota pública informando que acompanhava o debate e faria ajustes no formato das ativações.

A mudança apareceu já na transmissão seguinte. Narradores e comentaristas passaram a adotar uma abordagem mais próxima dos formatos tradicionais de publicidade, com menor integração entre a divulgação comercial e os comentários sobre as partidas.

Assim, a resposta à crise de imagem combinou posicionamento público e alteração na forma de atuação.

Gestão de crise de imagem exige agilidade e coerência

Em situações de alta exposição, a gestão de uma crise de imagem depende da capacidade de acompanhar a repercussão enquanto ela se desenvolve. Isso permite avaliar o cenário, definir uma posição e ajustar práticas quando necessário.

No caso da CazéTV, a condução mostra como decisões de comunicação podem acompanhar a evolução de um tema sem perder de vista a linguagem e a dinâmica próprias da plataforma.

Mais do que responder rapidamente, o desafio está em manter coerência entre posicionamento e prática. Em uma crise de imagem, a agilidade ganha valor quando ajuda a organização a tomar decisões compatíveis com sua identidade e com as expectativas de seus públicos.

Fabiana Albuquerque, Head de Relações Públicas da Fundamento

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