Comunicação na América Latina exige inteligência local

A atuação de marcas em diferentes países da América Latina exige estratégias que considerem hábitos de consumo e referências culturais. Essas particularidades influenciam tanto o desenvolvimento das operações quanto o relacionamento das empresas com seus públicos.

Para multinacionais, a comunicação na América Latina deve conciliar a consistência do posicionamento corporativo com o conhecimento local, orientando a escolha de canais, a identificação de stakeholders e as abordagens adotadas em cada mercado.

O contexto local influencia as estratégias de negócios

A expansão para diferentes países exige uma análise dos hábitos de consumo, das condições socioeconômicas e das referências culturais. Com base nessas informações, as decisões de negócio orientam a definição de mensagens, canais e interlocutores adequados a cada contexto.

As preferências de pagamento ilustram essas diferenças. No México, 85,2% dos adultos de 18 a 70 anos declararam utilizar dinheiro em espécie com maior frequência em compras de até 500 pesos, segundo levantamento de 2024. Uma plataforma internacional de mobilidade incorporou essa modalidade ao serviço. Após sua introdução, um estudo identificou aumento expressivo no número de viagens, especialmente em regiões de menor renda.

No Brasil, uma pesquisa do Banco Central realizada no mesmo ano mostrou que o Pix era utilizado por 76,4% dos entrevistados, superando os cartões de débito e o dinheiro físico. A plataforma passou a aceitar pagamentos instantâneos, adequando sua oferta aos hábitos nacionais.

Os exemplos demonstram como a inteligência local orienta decisões de negócio. Na comunicação, esse conhecimento permite destacar os benefícios mais relevantes para cada público e adaptar a apresentação dos serviços às suas necessidades.

Relacionamento com stakeholders

Referências culturais, valores, relações de confiança e fontes de informação influenciam a maneira como as pessoas interpretam mensagens e se relacionam com as marcas. A análise desses fatores orienta as estratégias de comunicação em cada mercado. Os hábitos de acesso às notícias são um exemplo dessas diferenças.

Segundo o Reuters Institute, as redes sociais lideram o acesso semanal a notícias no México, seguidas por sites e aplicativos jornalísticos (47%) e pela televisão (34%). No Brasil, as plataformas sociais também ocupam a primeira posição, mas a TV (44%) supera os portais de notícias (39%).

Esses indicadores contribuem para o planejamento da comunicação institucional, incluindo a distribuição de conteúdo e o relacionamento com a imprensa e demais interlocutores estratégicos. O conhecimento dos públicos locais é especialmente relevante em projetos que envolvem questões ambientais, impactos sociais ou interesses de comunidades, nos quais a definição dos canais e mecanismos de diálogo precisa considerar as características de cada território.

Comunicação na América Latina: coordenação regional e inteligência local

A atuação em múltiplos países exige uma estrutura que mantenha o alinhamento corporativo e incorpore as particularidades de cada mercado. A Fundamento coordena projetos em toda a América Latina, articulando equipes locais para adaptar estratégias, orientar o relacionamento com públicos estratégicos e atender aos objetivos de negócio na região.