Durante boa parte da vida, são os pais que oferecem cuidado, orientação e segurança aos filhos. Com o avanço da longevidade, essa dinâmica começa a se transformar: cada vez mais filhos passam a buscar novas formas de acompanhar e cuidar de seus pais, especialmente quando a distância física e a rotina tornam o acompanhamento diário um desafio.
O Brasil tem atualmente cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 17% da população. Segundo o Ministério da Saúde, esse contingente aumenta, em média, 1,1 milhão de pessoas por ano, cenário que vem transformando a organização das famílias e trazendo novos debates sobre como equilibrar proteção, presença e autonomia.
Essa questão se torna ainda mais relevante diante do número de pessoas idosas que vivem sozinhas. Dados do Censo 2022 mostram que 28,7% dos domicílios cujo responsável tinha 60 anos ou mais eram ocupados por apenas um morador – a maior proporção de domicílios unipessoais entre todas as faixas etárias analisadas pelo IBGE.
Nesse contexto, ganha força uma questão que já faz parte da vida de milhões de brasileiros: como oferecer cuidado e segurança quando os pais desejam preservar a independência.
Sem transformar cuidado em vigilância
Continuar vivendo no próprio lar pode ajudar a preservar hábitos, vínculos com a comunidade e a sensação de independência. Conhecida internacionalmente como aging in place, essa abordagem busca criar condições para que as pessoas envelheçam com segurança e autonomia em ambientes familiares.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a tecnologia pode apoiar esse processo ao favorecer a capacidade funcional, a comunicação e a realização de atividades cotidianas. O uso desses recursos, no entanto, deve considerar as necessidades da pessoa idosa e integrar uma rede mais ampla de cuidado, formada por familiares, vizinhos, profissionais e adaptações no ambiente doméstico.
“À medida que as pessoas vivem mais e permanecem independentes por mais tempo, as famílias precisam construir novas formas de presença. A tecnologia pode ampliar a comunicação e oferecer informações úteis a quem está longe, mas deve ser adotada com o consentimento da pessoa idosa e como parte de uma rede de apoio, nunca como substituta do contato humano”, afirma Helena Pacheco, Gerente de Marketing da Ezviz no Brasil.
A tecnologia residencial deixa de estar associada apenas à proteção do patrimônio e passa a apoiar também a comunicação e o acompanhamento cotidiano.
Câmeras inteligentes, como as da Ezviz, podem enviar alertas sobre movimentos ou sons detectados, permitir a visualização remota do ambiente e facilitar conversas em tempo real entre familiares. Elas reúnem detecção inteligente de formas humanas, rastreamento automático e alertas de ruídos altos. Em alguns modelos, o áudio bidirecional botão de chamada também permite que a própria pessoa idosa inicie uma videochamada com um toque.
“A evolução da casa inteligente envolve ir além da proteção patrimonial e apoiar também o cuidado cotidiano. A inteligência artificial pode tornar os alertas mais relevantes e simplificar a comunicação entre familiares, desde que seja aplicada com objetivos claros, controle do usuário e respeito à privacidade”, acrescenta Helena.
Em um país cada vez mais longevo, cuidar dos pais passa a envolver novas formas de presença. A tecnologia pode integrar essa rede de apoio e ajudar as famílias a permanecerem conectadas, mesmo quando não conseguem dividir o mesmo espaço todos os dias.